Fábula do Anjo
(William J. Bennett)
O menino voltou-se para a mãe e
perguntou:
- "Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum."
Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria
andar
pelas estradas, até encontrar um anjo.
- "É uma boa idéia" - falou a mãe. "Irei com você".
- "Mas você anda muito devagar" - argumentou o garoto. "Você tem um
pé aleijado".
A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito
mais depressa do que ele pensava.
Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe mancando,
seguindo atrás.
De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa, puxada
por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em
veludos e sedas, com plumas brancas nos cabelos escuros. As jóias
eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado
da carruagem e perguntou à senhora:
- "Você é um anjo?"
Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou
os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a
boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e
tossiu bastante. Então, chegou sua mãe que limpou toda a poeira,
com seu avental de algodão azul.
- "Ela não era um anjo, não é, mamãe?"
- "Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um",
respondeu a mãe.
Mais adiante uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o
menino. Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou:
- "Você é um anjo?"
Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:
- "Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo".
Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado
chegando. Mais do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi
tão rápido que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e
caiu.
- "Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho!", disse
ela, enquanto corria ao encontro do seu amado.
O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe e lhe
enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. Aquela moça,
certamente, não era um anjo.
O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado.
- "Você me carrega?"
- "É claro" - disse a mãe. "Foi para isso que eu vim."
Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho,
cantando a música que ele mais gostava. Então o menino a abraçou
com força e lhe perguntou:
- "Mãe, você é um anjo?"
A mãe sorriu e falou mansinho:
- "Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o
meu..."













Um acidentes que aconteceu...
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